Se nunca ouviste falar desta expressão, então aqui fica a explicação:
Quando queremos dizer que alguém é convencido, arrogante, pensa que é insubstituível ou que é vaidoso/presunçoso porque acha que é o(a) melhor dos melhores no que faz, dizes que essa pessoa acha que é “a última bolacha do pacote”.
“A última bolacha do pacote” trata os outros com superioridade e só se dá (quando se dá!) com um grupo de pessoas que acenam que ‘sim’ a tudo o que “sua senhoria” diz e quer.
“A última bolacha do pacote” acha que todos à sua volta – incluindo os pais, professores, patrões e líderes (do pastor à irmã do ministério infantil) – têm de seguir a sua forma de pensar e de querer. Não ouve opiniões nem aceita críticas porque é dona de toda a sabedoria (será?).
“A última bolacha do pacote” não aceita ver outros envolvidos, porque ela e o seu grupo de “iluminados” são os únicos que sabem como se faz… e mesmo que não corra bem, o orgulho que a deixa inchada não deixa espaço para mais nada, nem para reconhecer que falhou e/ou precisa de ajuda.
Ironias à parte e deixando de lado o exagero (ou talvez não seja assim tão exagerado), a verdade é que andam por aí muitos pacotes com a última bolacha… muita gente arrogante, convencida e elitista… Mas isso não deveria acontecer, muito menos na igreja:
1 - PENSA NO EXEMPLO DE JESUS
“Que haja em vocês a mesma atitude que houve em Cristo Jesus. Sendo por natureza Deus, no entanto, não reivindicou para si o ser igual a Deus, mas desfez-se das suas regalias próprias, assumindo a forma de um escravo e a semelhança humana. E, encontrando-se nessa condição, humilhou-se a ponto de se sujeitar voluntariamente à morte; não a uma morte vulgar, mas à morte da cruz." (Filipenses 2:5-8, destaque da autora)
Quem tinha todas as razões para andar “de nariz empinado”, a olhar de lado para os outros (todos!) deu-nos um exemplo bem diferente. Aliás, se leres o Sermão do Monte (Mateus 5-7) vais perceber que Jesus apresenta um reino completamente contracorrente, contra a maré, ou como alguém disse “de pernas para o ar”.
2 - PENSA NO QUE JESUS NOS PEDE
“Então disse a todos: ‘Se alguém quiser ser meu seguidor, tem de esquecer-se de si próprio, tomar a sua cruz todos os dias e seguir-me. Quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á. E quem perder a sua vida por minha causa salvá-la-á.’” (Lucas 9:23-24)
“Mas se continuarem em mim e obedecerem aos meus mandamentos, poderão pedir o que quiserem, que vos será concedido. Os meus verdadeiros discípulos produzem muito fruto, o que traz grande glória ao meu Pai.” (João 15:7-8)
E Paulo explica: “Mas o fruto que o Espírito produz em nós é: o amor, a alegria, a paz, a paciência, a bondade, a delicadeza no trato com os outros, a fidelidade, a brandura, o domínio de si próprio. Para aqueles que vivem desta maneira, a Lei nem sequer tem necessidade de existir.” (Gálatas 5:22-23)
Não somos o centro, mas Jesus é o centro de tudo (ou pelo menos deveria ser). É quando Deus tem espaço para trabalhar em nós que as nossas intenções mudam e as nossas atitudes também. Mas para Ele ter espaço, o orgulho não pode ocupar a “casa” que é o nosso coração.
3 - PENSA NOS OUTROS (DA MANEIRA CERTA)
“Não façam nada motivados por despique, nem por interesses pessoais, mas sejam humildes: que cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não pensem unicamente nos vossos interesses, mas procurem também aquilo que interessa aos outros." (Filipenses 2:3-4)
“Meus irmãos, a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, é incompatível com atitudes de parcialidade em relação às pessoas. Se, no vosso local de reunião, entrar uma pessoa muito bem vestida e com jóias nos dedos, e ao mesmo tempo chegar alguém que é pobre e mal vestido; se, considerando a aparência vistosa do primeiro, lhe derem preferência, dizendo-lhe para se sentar no lugar de mais destaque, e se disserem ao pobre para ficar mesmo de pé ou num canto da sala, não estarão a estabelecer diferenças e a fazer juízos determinados por pensamentos condenáveis? (…) Se cumprirem a mais importante Lei de Deus, contida na sua palavra, que é: ‘Ama o teu próximo como a ti mesmo’, então fazem bem. Mas, ao fazer distinção entre pessoas, estão a pecar, e tornam-se culpados de transgredir essa Lei de Deus.” (Tiago 2:1-4, 8-9)
“Comportem-se com toda a humildade, delicadeza e paciência uns com os outros, numa base de amor. Procurem conservar entre vocês a unidade que o Espírito Santo produziu com laços de paz.” (Efésios 4:2-3)
Mais uma vez, as nossas motivações estão no princípio de tudo. Se temos humildade de reconhecer Jesus no centro da nossa vida, a forma como vemos o outro também muda. A ideia de submissão mútua (de uns para com os outros) não acontece por imposição exterior. Mas quando Deus trabalha em nós, em todos nós, a humildade, delicadeza e paciência de todos para com todos fará a diferença.
Se em vez de cada um se achar “a última bolacha do pacote” todos pensássemos em ser embaixadores do Pão da Vida para os famintos de perdão e esperança deste mundo, como tudo seria diferente!
Pensa nisto!
Ana R. Rosa
Big Sister e Diretora da BSteen
