Uma das coisas que a sociedade mais tem distorcido nos últimos tempos é, sem dúvida, o amor! Uma das características mais próprias de Deus está “na boca do povo”, mas ao mesmo tempo, é tão raro vê-la no nosso dia-a-dia. Era bom que o tanto de amor que se ouve falar, de facto se visse nas atitudes das pessoas.
Basicamente era isso que também acontecia nos tempos de Jesus (e isto é prova de que a solução para a humanidade não é a evolução da tecnologia ou do conhecimento, porque em toda a parte e em qualquer tempo o egoísmo do ser humano sempre arruína tudo). A passagem de Lucas 10:25-37 vai ajudar-nos a ver esse amor distorcido, ao mesmo tempo que nos ensina qual o verdadeiro significado de “amar”.
QUEM É O MEU PRÓXIMO?
Nos versículos 25 a 29, um certo religioso chega ao pé de Jesus e pergunta-lhe: “Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” (Lucas 10:25, ARA) Só que o texto diz-nos que a pergunta não era sincera e tinha o objetivo de “tramar” Jesus. Por isso, Ele pergunta-lhe de volta: “Que está escrito na Lei? Como interpretas?” (Lucas 10:26, ARA). E a verdade é que o religioso até sabia o que era preciso fazer para herdar a vida eterna! O que a Lei dizia é que é necessário amarmos a Deus com tudo o que temos e amar o nosso próximo como a nós mesmos.
E é neste contexto que surge a tão conhecida parábola de Jesus sobre o Bom Samaritano. Jesus queria ensinar este homem a colocar em prática o mandamento da Lei que nos faz herdar a vida eterna – o do amor! Porque, ao que parece, o religioso sabia que era preciso amar, mas em vez de se preocupar em entender como poderia fazê-lo, ele preocupava-se mais em arranjar desculpas para não ter de amar certas pessoas – é isso que está por detrás da pergunta do religioso: “Quem é o meu próximo?” (Lucas 10:29, ARA).
1, 2, 3!
Resumindo: a parábola que Jesus conta fala-nos de um personagem que foi assaltado e bastante maltratado na via pública e que foi deixado praticamente morto no chão. Até que passam por ele outros dois personagens, em momentos diferentes, e tal como o religioso da vida real, certamente também conheciam os mandamentos “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento e: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Lucas 10:27, ARA). Só que ambos preferiram ignorar aquele que estava brutalmente ferido na via pública.
Entretanto, passa um samaritano pelo personagem ferido que prontamente se dispõe a cuidar dele e inclusive a pagar por todo o tratamento médico que fosse preciso fazer! E então Jesus, de novo na vida real, pergunta ao religioso: “Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores?” (Lucas 10:36, ARA).
A RESPOSTA
Depois da parábola, o religioso reconhece que o “próximo” do personagem que fora ferido, foi aquele se dispusera a ajudar e cuidar, e não quem apenas sabia o que a Lei dizia sobre o amor. E esta parábola foi uma “jogada” tão inteligente da parte de Jesus (óbvio que sim, Ele é Jesus!), porque na verdade, a pergunta foi feita para O tramar e acabou por se virar contra o próprio perguntador.
A pergunta que devemos fazer não é: “Quem é o meu próximo?”. Mas sim: “Como posso tornar-me o próximo que ama os outros?”!
Como o conceito de amor do religioso estava corrompido? Na prática, ele achava que certas pessoas não mereciam ser amadas como ele próprio merecia ser! Quando essa é a nossa postura, o amor-próprio torna-se tão tóxico que estraga o nosso amor a Deus. A Bíblia chama isso de orgulho, porque na verdade nenhum de nós merecia ser amado, e todos, de igual forma o fomos, pelo mesmo Jesus.
O que está aqui em causa é não darmos aos outros de graça, o que de graça recebemos de Deus. E quando eu acho que mereci receber de Deus o que os outros não merecem receber de mim, então na verdade não entendi o tão grande amor de Deus e, por isso, não posso amá-Lo com sinceridade. Portanto, em primeiro lugar, para amar a Deus precisamos entender como Ele nos amou primeiro – e nós não merecíamos de maneira alguma ser amados.
Depois, em segundo lugar, não deixes de autoexaminar-te com esta pergunta: “Estou a tratar esta pessoa como eu gostava que ela me tratasse a mim?” (Vê Mateus 7:12). Se sim… então estás a amar o próximo como a ti mesmo.
Timóteo Reis
AD Covilhã
