“Está descansado!” … esta frase dita por alguém em quem confiamos deixa-nos tranquilos. Significa que não precisamos estar ansiosos ou preocupados, porque alguém está a cuidar da situação.
Na verdade, mesmo querendo e tendo todas as capacidades para isso, essa pessoa pode não conseguir cumprir o prometido, mas isso não acontece com Deus. Ele promete e cumpre. Podes ficar descansado!
O PRINCÍPIO
A ideia de trabalho e descanso foi criada por Alguém que sabe muito bem o que faz: Deus. E vem logo no princípio de tudo. Ora, vamos à Bíblia… “No sétimo dia, Deus tinha completado a sua obra e nesse sétimo dia Deus descansou de toda a obra que tinha vindo a fazer. Deus abençoou o sétimo dia e declarou que esse dia seria santo, pois foi quando repousou de toda a sua obra da criação.” (Génesis 2:2-3) “O Senhor Deus pôs o homem no jardim do Éden para que o guardasse, cultivasse e cuidasse dele.” (Génesis 2:15)
Princípios equilibrados, justos e santos… trabalho e descanso.
DEPOIS
Depois da Queda do Homem, houve um desequilíbrio consequente da desobediência, da rebeldia a Deus. “(…) o solo da terra será maldito por tua causa. Terás de lutar a vida inteira para tirares da terra a tua subsistência. Dar-te-á muitos espinhos e cardos, mas tu comerás das suas verduras. Terás de suar muito durante a vida toda, para teres o sustento, até que morras e voltes para a terra donde foste tirado. Porque fundamentalmente és terra e para a terra voltarás.” (Génesis 3:17b-19) Quando o povo de Deus estava a caminho da Terra Prometida, a Lei estabelecida por Ele, entregue a Moisés, ordena acerca do descanso das terras e das pessoas, um tempo de dedicação e adoração a Deus (Êxodo 20:8-10; Levítico 25).
Mais tarde, Jesus tem de demonstrar e explicar que as regras criadas pelos líderes religiosos para ajudar os judeus a cumprir a Lei, neste caso a questão do sábado, não podiam sobrepor-se ao princípio do amor ao próximo. O trabalho e o descanso continuam a ser princípios válidos e necessários, mesmo que as circunstâncias tenham mudado…
AGORA
Bem, estás de férias, mas temos de entrar no manual de História! Com a Revolução Industrial, a descoberta da eletricidade, e depois as comunicações em tempo real através da internet, a sociedade passou a reduzir imenso o descanso. Antes disso as pessoas dependiam da luz do sol e de sistemas de iluminação limitados – velas, candeeiros a petróleo, etc. A invenção do comboio e depois do automóvel levou as pessoas a ter a possibilidade de trabalhar e a viver em cidades diferentes. Hoje há quem gaste 2h por dia (e mais!) entre casa, trabalho, casa. Além disso, entre divertimento e trabalho, os portugueses passam, em média, cerca de 10 horas por dia online (incluindo computadores, televisões e telemóveis)1. Cada vez há mais tecnologias para nos facilitar a vida, mas cada vez estamos a descansar menos e, por consequência, a nossa saúde mental sofre com isso – ansiedade, depressão, etc. O estudo “Vamos falar sobre Ecrãs e Tecnologias Digitais”, realizado pela Ordem dos Psicólogos em 2024, faz soar os alarmes neste sentido.
A tecnologia pode ser positiva ou negativa – conforme a intenção e a forma com que a usamos. A moderação (o tal domínio próprio!) que o Espírito Santo produz em nós (Gálatas 5:22-23) deve estar presente também na utilização da tecnologia, que precisa ser usada com ética (princípios morais para a forma como agimos e vivemos) – respeitando os princípios de trabalho, descanso e de serviço que Deus deixou para nós. É preciso que tu e eu descansemos em Deus, e não vivamos com FOMO2, nem com receio de outra coisa qualquer, porque Ele está no controlo. Precisamos recuperar o equilíbrio em tudo, reconhecendo a soberania de Deus nas nossas vidas, e a interdependência dos talentos e dons na igreja, não substituindo os outros e o seu serviço a Deus por máquinas.
“Sim, o corpo tem muitas partes; não é constituído só por uma parte. Se o pé disser: ‘Eu não faço parte do corpo, porque não sou mão’, não é por isso que deixa de ser parte do corpo. E se o ouvido se pusesse a dizer: ‘Não pertenço ao corpo, porque podia ser um olho, e afinal não passo de uma orelha.’ Seria por isso que faria menos parte do corpo? Vamos supor que todo o corpo era olho; como é que se podia ouvir? Ou então se todo ele fosse um enorme ouvido, como se poderia cheirar? Mas Deus formou-nos com muitas partes e cada uma com a sua função própria. E que coisa estranha seria um corpo humano com uma só parte! Mas não, são muitas as partes, mas um só o corpo. O olho nunca poderá dizer para a mão: ‘Não preciso de ti.’ Nem a cabeça poderá dizer aos pés: ‘Vocês são-me inúteis’.” (1 Coríntios 12:14-18)
Mas, o que é que isso tem a ver com descanso? Muito… descanso é dependência de Deus e dos Seus princípios – também em relação à Igreja. É preciso confiar em Deus para Lhe obedecer: para parar e para depender Dele e dos outros!
Que a tecnologia seja apenas uma ferramenta para as pessoas servirem a Deus e não um substituto dos talentos que Ele deseja ver em ação na igreja. Se queremos ir depressa vamos sozinhos, mas se queremos ir longe, precisamos ir juntos, como Corpo. Não deixes ninguém para trás!
Ana R. Rosa
Big Sister e Diretora da BSteen
1 Fundação Francisco Manuel dos Santos. (2024, 21 de novembro). Agarrados ao ecrã: quais os impactos da dependência digital? [Vídeo]. FFMS Play. https://ffms.pt/pt-pt/ffms-play/praca-da-fundacao/video/agarrados-ao-ecra-quais-os-impactos-da-dependencia-digital;
2 FOMO – Fear of Missing Out – medo de ficar de fora
