Vivo em Portugal há cinco anos. Neste tempo tenho percebido que partilhar a minha fé com os outros tem de ser muito mais do que algo intencional.
Partilho esta ideia porque, no contexto de onde venho, em El Salvador, é muito fácil falar da nossa fé e encontrar alguém disposto a dar-nos algum tempo para ouvir aquilo que temos para dizer. Mas aqui, na Europa, é diferente. Vai muito além de ter apenas uma intenção; tem de ser acompanhado por ação e, por mais engraçado que possa parecer, também tem de ser planeado. E há algo importante que costumo dizer às pessoas que me seguem e me ouvem: filtra TUDO pela Palavra de Deus.
Há muitas pessoas a quem queremos levar a mensagem do amor de Deus, pessoas que não O conhecem e vivem longe Dele, seja por ideias religiosas, pela sua forma de vida, entre outras razões. Mas vem comigo, vamos filtrar tudo isto pela Palavra e olhar para Jesus numa situação em particular:
“Vim eu, o Filho do Homem, e porque aceito ir a uma festa e beber o vinho que me é oferecido, logo se queixam de que sou comilão e beberrão e de que sou amigo de cobradores de impostos e pecadores! Mas a sabedoria foi justificada pelas suas obras.” (Mateus 11:19)
AÇÃO
Primeiro, vemos que o texto diz: “Veio o Filho do Homem”. Isto é ação, é intencionalidade. Cada ação que Jesus tinha era intencional. A Jesus agradava-Lhe relacionar-Se com as pessoas. Imagino-O a ouvir as suas histórias, a prestar atenção. Ele tinha a virtude de escutar, algo que faz muita falta nos dias de hoje, numa cultura marcada pelo cancelamento e pela imposição. Jesus ia contra a corrente; Ele era tudo aquilo que não se praticava naquele tempo.
CONEXÃO
Isto faz-me lembrar uma das experiências mais marcantes do nosso ministério aqui em Portugal. Decidimos jogar futebol com desconhecidos, com a intenção de os levar à igreja. Houve uma pessoa em particular, a quem chamaremos João para preservar a sua identidade. Durante quase dois anos, em cada jogo, e com a ajuda de outros jogadores, fomos criando uma ligação. O João chegou a visitar a igreja algumas vezes, mas sem qualquer pressão.
Tempos depois, tive de partir para outra cidade. Mais tarde, voltei a encontrá-lo a jogar futebol. Estava sem igreja e sem pastor. Acabou por visitar-nos em casa, onde tínhamos iniciado a implantação da igreja. Gostou e ficou. Trouxe toda a sua família e, alguns meses depois, regressou ao Brasil. Mas aqui fica o testemunho: um dia, devido às situações difíceis que estava a viver, tomou a decisão de se suicidar. No momento em que ia fazê-lo, lembrou-se de mim e de uma pregação. Ele próprio conta que chorou e decidiu procurar Deus. Não foi num domingo, durante um culto; foi num dia qualquer que isto aconteceu. Como foi possível? Foram momentos de conexão.
PACIÊNCIA
Não podemos impor as nossas ideias às pessoas, mas podemos criar ligações. Vai chegar o momento em que saberás falar de Jesus. Vais senti-lo. Haverá uma situação em que poderás fazê-lo. Entretanto, deixa que as pessoas saibam quem tu és. As pessoas são curiosas e vão querer conhecer-te. E aí, livremente, poderás dizer que és filho de Deus.
A tua forma de viver, de falar e de te comportar falará por si. Isto não é uma licença para fazer o que os outros fazem, mas uma oportunidade para demonstrar que és filho de Deus. O modo de viver de Jesus levou muitos a formar opiniões diferentes sobre Ele. Por causa da Sua amizade com todo o tipo de pessoas, ficou com uma má reputação aos olhos dos religiosos, mas estabeleceu uma ligação com os pecadores. E foi assim que Se revelou como o Messias enviado por Deus.
MAIS DO QUE INTENÇÕES
Então, o que quero dizer com tudo isto? Cria ligações. Escuta as pessoas. Ouve as suas histórias. Todos nós gostamos de ser ouvidos. Empresta os teus ouvidos. Oferece o teu ombro a quem precisa de chorar. Usa as tuas palavras para encorajar quem precisa. Mas sê intencional através da tua ação. Pessoas com boas intenções há muitas, mas pessoas que vivem em constante movimento são poucas.
E tu, fazes parte desta geração em movimento?
Bryan Garcia
Diretor Castelo do Rei Portugal
Pastor Life Church Portugal
