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Virtual ou Real?

 


O ADVENTO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL 

Se não vives debaixo de uma pedra, deves estar a par de como o fenómeno da tão aclamada “Inteligência Artificial” (IA) está efetivamente a revolucionar a vida do ser humano. Para obter informações altamente específicas precisaríamos de consultar um especialista ou procurar literatura adequada. No entanto, agora, o maior génio do mundo, especialista em todo e qualquer assunto, está apenas à distância entre os dedos e o teclado. Mas esta tecnologia disruptiva vai muito para além dos famosos ChatBots ou Large Language Models (LLMs), como o ChatGPT, o Claude, o Gemini, etc.


De facto, antes do advento da IA, muito se falava em exageros e especulação no que toca à real utilidade e papel que esta tecnologia poderia vir a desempenhar. Mas a verdade é que hoje é inegável a forma como tem facilitado imenso a nossa vida. Uma pesquisa que demoraria longas horas para ser realizada, passou a demorar apenas alguns minutos (ou segundos). Agora, basta apenas escrever (ou até ditar) o famoso prompt (ou “instrução”) e conseguimos gerar imagens e vídeos totalmente personalizados e altamente detalhados. Tão detalhados que por vezes até se confundem com a própria realidade…


SÓ ARTIFICIAL, OU TAMBÉM INTELIGENTE?

A inteligência é uma característica que distingue o ser humano de todos os restantes seres que habitam no nosso planeta. O livro de Génesis revela-nos que, após ter criado o homem à Sua própria imagem e semelhança, Deus soprou o “folego da vida” no seu nariz, tornando-o “alma vivente”. Estamos a falar de algo que Deus reservou exclusivamente para o Homem! Na verdade, é também através do nosso intelecto que nos conseguimos aproximar de Deus e relacionar com Ele. Por isso não devemos desprezar a nossa inteligência, mas sim encará-la como uma verdadeira dádiva divina.


“E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em seus narizes o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente.” (Génesis 2:7, ARC)


Ao longo da história, o Homem tem usado do seu intelecto para desenvolver tecnologias ora extraordinariamente boas, ora extremamente perigosas. Por vezes é até difícil de fazer essa distinção. Por isso é normal que, perante uma tecnologia disruptiva como a IA, o nosso intelecto nos leve a questionar se esta é de facto mesmo “inteligente” ou apenas “artificial…


Recentemente, o matemático norte-americano Dan Anderson chocou o mundo ao revelar que um modelo de IA foi capaz de resolver autonomamente um problema de álgebra nunca antes resolvido. Será esta a prova de inteligência que faltava? A verdade é que os modelos de IA aprendem, de modo genérico, com base nos dados que lhes são fornecidos durante o seu processo de treino. Isto significa que a resposta de um modelo, por norma, só deve ser de confiança se estiver relacionada com os dados em que este foi treinado. Caso contrário, no máximo, poderá estar apenas a correlacionar (misturar) dados que conhece ou, no pior caso, a alucinar completamente! Só mesmo nestas circunstâncias é que teoricamente a IA poderá descobrir “novas soluções” ou “inventar coisas novas”, fruto do puro acaso. E agora, a IA ainda te parece assim tão “inteligente”? Sendo sincero, esta é uma discussão ainda muito viva na sociedade e na academia, mas esse não é o ponto importante…


INTELIGÊNCIA (DES)HUMANA

Os modelos de IA com que lidamos no dia a dia acabam por ser especialistas em quase tudo porque podem ser treinados com, virtualmente, todos os dados disponíveis na internet. E acredita em mim quando digo que são mesmo imensos dados (atualmente, acima de 180 triliões de gigabytes). Assim, dado que a vasta maioria destes dados foram gerados por humanos, é expectável que a experiência de interação com estes modelos seja muito semelhante à da interação com pessoas reais. 


Um estudo recente (2022) afirma que, na Suíça, cerca de 59% dos jovens e adolescentes com idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos se sentem frequentemente sozinhos. Por causa disto, os especialistas estimam que muitos destes jovens estejam a utilizar a IA como um refúgio e companhia, criando até relações emocionais com ChatBots. Os mesmos especialistas alertam para o facto desta tecnologia poder afetar a nossa capacidade de pensar criticamente, de nos relacionarmos, e até tornar-nos dependentes...


É por isso que, no tempo presente, é extremamente importante relembrarmos que Deus escolheu criar-nos para sermos seres relacionais: não só para nos relacionarmos (primeiramente) com Ele, mas também uns com os outros! Lembra-te, uma máquina pode conseguir identificar e até simular emoções, mas nunca será capaz de verdadeiramente sentir compaixão, empatia, e muito menos amor. Por isso utiliza a IA, de forma responsável e consciente, como uma ferramenta, mas não deixes que esta ocupe o lugar que Deus reservou para Si e para os outros no teu coração.


“Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.” (João 13:34, ARC)


João Luzio

Estudante / Doutoramento em Robótica e Inteligência Artificial (IST - ULisboa)

AD Vila Franca de Xira




Fontes: Público. (2026, 13 de abril). IA desenvolvida na China resolve problema matemático sem intervenção humana. Público. https://www.publico.pt/2026/04/13/ciencia/noticia/ia-desenvolvida-china-resolve-problema-matematico-intervencao-humana-2171023; RTP. (2026, 11 de maio). “Não me lembro como era sem IA”. Jovens estão a ficar viciados em chatbots. RTP. https://www.rtp.pt/noticias/mundo/nao-me-lembro-como-era-sem-ia-jovens-estao-a-ficar-viciados-em-chatbots_n1730765; SAPO 24. (2026, 2 de junho). Adolescentes recorrem a chatbots de IA para apoio em saúde mental. SAPO 24. https://24noticias.sapo.pt/atualidade/artigos/adolescentes-recorrem-a-chatbots-de-ia-para-apoio-em-saude-mental