A Maria era sempre das primeiras a chegar. Ela falava com toda a gente, era das primeiras a dar as boas-vindas a quem estava pela primeira vez…, mas naquele dia tudo foi diferente.
Chegou tarde à reunião de jovens e sentou-se na última fila. Estavam todos envolvidos no louvor e nem se aperceberam… No final, enquanto cantavam os parabéns ao João, desapareceu como apareceu: sem ninguém notar.
Enquanto os amigos e manos celebravam, ela deixava algo nos stories: a foto de uma criança ao colo de uma senhora, com o texto “Foste cedo demais”. A Isabel, uma das amigas mais próximas, viu o story da Maria e….
Como terminaria esta história (fictícia) se fosses a Isabel?
Se disser que devemos ser solidários com o estado de espírito dos nossos manos, ninguém me questiona. Paulo diz aos crentes em Roma: “Alegrem-se com os que estão alegres e chorem com os que choram.” (Romanos 12:15, BPT) Mas, e quando as duas coisas acontecem ao mesmo tempo: uns estão felizes e outros estão tristes?
O que seria mais fácil para a Isabel? Julgar a Maria porque não estava a ser conveniente? Ter apenas curiosidade sobre quem era a pessoa na foto? Simplesmente ignorar?
'Não dá jeito nenhum' alguém estar deprimido, ansioso, stressado ou mesmo esgotado, quando só tinha era de sorrir e fingir que estava tudo bem... As pessoas à nossa volta – mesmo as da tua idade – podem estar a passar por situações complicadas, que tu nem imaginas. Sem compreender as causas dessa tristeza, fazemos os nossos juízos precipitados e acabamos por afastar em vez de ajudar.
É verdade que na adolescência as emoções estão em alta e vive-se tudo com muita intensidade…. Mas às vezes há situações realmente difíceis. Pode ser uma fase complicada na escola, na família. Podem ser estados de ansiedade ou depressão constantes. Pode ser um acontecimento negativo inesperado – como o desemprego de um dos pais, a morte de um amigo próximo, uma doença grave de alguém na família. Nesses e noutros momentos verdadeiramente complicados, é bom termos alguém que nos ouça, que ore connosco e por nós, ou simplesmente que nos faça companhia.
Agora vamos pensar…
Será que sou uma pessoa que se preocupa com aqueles que estão à sua volta?
Quando está tudo bem comigo, tenho tendência a esquecer-me de Deus e dos outros?
Preocupo-me com quem parece estar triste ou isolado?
Sou digno de confiança quando alguém desabafa comigo?
Quando alguém procura a minha ajuda para assuntos e situações complicados, sou honesto(a) e digo que vou orar, mas que a pessoa deve procurar um adulto de confiança ou pastor que realmente possa ajudar?
A verdade é que a nossa sociedade é cada vez mais egoísta, valoriza as aparências e julga tudo pela perceção mais do que pela realidade. Pensamos apenas em nós e esquecemos o outro, até ao dia em que somos nós que estamos a passar por algum momento difícil.
Não deve ser assim na igreja...
“Imaginem que algum irmão ou irmã, não tem nada que vestir e lhe falta o necessário para comer, cada dia. Poderão dizer-lhes: ‘Vão em paz! Hão de encontrar com que se aquecer e matar a fome!’ Mas se não lhes dão aquilo de que eles precisam, de que valem essas boas palavras? Do mesmo modo, a fé, se não é posta em prática, está morta.” (Tiago 2:15-17, BPT)
“Que o amor que mostrarem pelos outros seja autêntico. Tenham horror ao mal. Tomem sempre posição do lado do bem.” (Romanos 12:9)
“Partilhem uns com os outros o peso das vossas dificuldades e assim cumprirão o mandamento de Cristo. Se alguém se julga importante demais para ajudar a levar os fardos dos outros, está a iludir-se a si próprio.” (Gálatas 6:2-3)
“Posso suportar todas as coisas com a ajuda de Cristo, que é a fonte da minha força. Contudo, fizeram bem em me terem ajudado nesta difícil situação.” (Filipenses 4:13-14)
Quem queremos ser? A quem queremos imitar? Queremos ser compassivos como Jesus ou egoístas como muitos que nos rodeiam? Que o Senhor ajude a todos e a cada um a estar sensível e solidário com aqueles que estão tristes, da mesma forma que gostamos que nos ajudem nos nossos momentos mais difíceis.
Estou contigo!
Ana R. Rosa
Big Sister e Diretora da BSteen
