A série Stranger Things quase que já possui um som vintage, a sua estreia foi já no longínquo ano de 2016. Este ano (2025) terá finalmente a sua conclusão.
Um grupo de crianças que se vê rodeada por mistérios, e um conjunto de coisas estranhas que aconteciam na localidade onde moravam. Como sucede em tantas séries de ficção científica, os vários eventos “estranhos” que vão acontecendo, vão sendo encobertos pelos responsáveis dos laboratórios de Hawkins (um dos vilões da história). Uma das personagens principais (Eleven), vai tentar encontrar alguma normalidade no meio de tantas coisas estranhas que estavam a acontecer. Um dos pilares que encontrou foi a amizade do grupo de crianças, que são os personagens principais da história, e a necessidade de em tudo viverem sobre o seguinte lema – Os amigos não mentem! (Eleven).
Coisas estranhas não acontecem apenas no mundo da ficção, mas também na vida real. Por vezes, até encontramos uma realidade mais estranha do que a ficção. Isto não acontece porque a verdade de repente assumiu contornos vilanescos e vestiu a capa da mentira, mas porque por vezes, quando confrontados com a verdade, podemos ter sim uma grande dificuldade em digerir essa mesma verdade. – Deus não é para mim ou – Deus é amor, mas prefiro continuar na mesma, ou – Deus ama-me como sou – são frases que podem sair da tua boca como afirmação, mas também como revolta. Ao olhar para Deus e a Bíblia, precisamos conviver com a certeza de que vamos ouvir coisas que realmente precisamos ouvir, e não necessariamente aquilo que queremos ouvir.
“Deus amou de tal modo o mundo que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crer não se perca, mas tenha a vida eterna. Não foi para condenar o mundo que Deus lhe enviou o seu Filho, mas sim para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho único de Deus.” (João 3:16-18, BPT)
Ao olhar para trás, para os contextos bíblicos, descobrimos que, mesmo em épocas distintas da nossa, as questões e dificuldades não eram assim tão diferentes das que passamos hoje. Amor, palavra conhecida pelo desejo de conforto, mas ignorada tantas vezes pelo olhar do desconforto. No mundo de polos extremos em que vivemos, parece-me salutar e, diria até desafiante, continuar a reafirmar que Deus é amor e que ele ama pessoas. Este é um ponto final de que muitos carecem!
Desajuste, vidas sem sentido, dependências, desilusão, culpa, rejeição – esta é uma lista que peca pela sua escassez, mas o que aqui não está incluso, que podemos incluir também, é a tua história. O amor de Deus para connosco, não depende, em primeira linha, de cada um de nós. Ufa, que alivio! É mesmo!, ou pelo menos deveria ser. Quando descobrimos que somos amados por Deus, percebemos que a maior manifestação de amor foi demonstrada em Jesus Cristo e na Sua entrega sacrificial por cada um de nós. Através da Sua morte, nenhum de nós tem de morrer. O brilho do conforto de Deus invade as nossas almas e, assim, mostramos a convicção de que o amor de Deus é suficiente para nós. Não é isso que um dos versículos mais conhecidos da Bíblia diz? Claro que sim! Não tenhamos medo de cair em clichés. Este é um cliché de que todos necessitam! Então, o desafio para os discípulos de Jesus (aqueles que seguem, aprendem e imitam Jesus) é e continuará a ser: falar de Jesus a todos, afirmar que Deus ama todos e, sim!, que Deus quer salvar a todos.
Sou amado por Deus? Sim! O mesmo Deus que te ama – volto a reforçar – e que não te condena, é aquele que condenou Jesus para que a sentença que eu e tu merecíamos não acontecesse. Injusto? Sim! Tanto o que Jesus fez, como aquilo que nós fazemos com aquilo que Ele fez. Quando ignoras o único caminho de salvação, continuas condenado! O mesmo Deus que te acolhe, é o mesmo que te rejeita quando o rejeitas a Ele, rejeitando o sacrifício do Seu filho. Os cartazes a debitar justiça já estão erguidos. Espera um pouco. A tua sede de justiça, infelizmente, é miragem no deserto. Promete, mas não sacia! Deus é Santo! Deus é perfeito! Deus é inigualável! Se rejeitas o filho, e as evidências são inegáveis no texto bíblico, Ele vai rejeitar-te. Sei que podes estar a sentir os olhares indiscriminados. Ainda bem! O que tu podes estar a precisar é de confronto. Não dos homens, mas de um Deus que não deixa de dizer o que tu e eu precisamos ouvir e atender. Porque confronto também é conforto.
Os amigos não mentem! Embora não te conheça, desejo que conheças a verdade, aquela que verdadeiramente liberta. Jesus não te exclui, mas não corras o risco de o excluir a Ele. Esta é uma verdade que não deves encobrir!
Samuel Guimarães
Pastor – AD Suíça
