Escolhe a tua língua

Tu és o que consomes?

 


Já sei… estás farto de ouvir, em loop, que és o que escolhes ver, fazer ou experimentar, mas vá, tens pelo menos que admitir que faz algum sentido! Se passas a maior parte do teu tempo a ver gameplays de Elden Ring, ou outro jogo qualquer, ou a ver Wednesday, ou qualquer outro drama adolescente é normal que depois sonhes com isso e comeces a viver como se a tua vida fosse também ela saída de um guião da Netflix.


Tudo o que experimentamos no nosso dia-a-dia acaba por se tornar a playlist do que vivemos. Desde acharmos que os nossos relacionamentos têm de ser tão intensos e caóticos como uma música da Taylor Swift, até começarmos a incorporar tiques que aprendemos num TikTok viral. 


Mas reviramos os olhos sempre que nos dizem isto, com razão, porque na verdade a questão é bem mais profunda do que isto, não achas?


Ou, consomes aquilo que tu és?


“Vigia acima de tudo o teu pensamento, porque dele depende a tua vida.” (Provérbios 4:23, BPT)


Pensa comigo: não escolhes uma música, uma série, um vídeo ou um filme ao acaso, certo? Há algo que te atrai naquilo que tu escolhes. Já alguma vez deste por ti, num dia que estás a sentir-te mais triste, a escolher músicas mais melancólicas nas tuas playlists do Spotify? Ou ao contrário, a escolheres um reggaeton ou um funk quando estás feliz e entusiasmado(a) Não foi o que tu escolheste que teve impacto no teu estado emotivo, já estavas assim ANTES! Apenas escolheste algo que combina contigo e com o que estavas a sentir no momento.


Agora é que a questão começa a fazer sentido. Aquilo que escolhemos “consumir” não dita nem cria quem nós somos, apenas revela quem somos. Mostra aquilo que o nosso coração procura.


Se tens necessidade de aceitação, é mais provável que te sintas atraído por influencers que mostram ter uma vida perfeita e popular. Se calhar sentes-te inseguro(a) em relação à tua aparência e, por isso, consomes mais conteúdo baseado em melhorar esse aspecto. Ou, simplesmente precisas de um escape onde podes esquecer-te de alguma circunstância difícil da tua vida e acabas por te submergir num MMORPG em que podes escolher o que és, à tua maneira!


A escolha do que consomes, não é, de todo, aleatória. É algo mais profundo dentro de ti a comunicar que precisa de alguma coisa. O problema é que, muitas vezes, a cultura que te rodeia oferece pseudossoluções rápidas, mas falsas, para as tuas necessidades que são bem reais.


Então qual é a verdadeira questão?

Não é apenas o que eu devo parar de ver ou ouvir, isso só arranha a superfície. Se formos por aí, perdemos a batalha, há sempre coisas novas a aparecer. A verdadeira pergunta a fazer é: “Quem sou eu?”


É nesta pergunta que, se nós seguimos Jesus, tudo muda (e se não segues, podes começar!). Quem tu és não é definido pelo número de likes, pela roupa que vestes ou se és popular ou não. A tua identidade está firme no que Jesus fez por ti, e por isso, em Jesus, tu és:

  • Amado(a), sem precisares de fazer nada;

  • Aceite, com todas as tuas qualidades e imperfeições;

  • Valioso(a), porque Ele pagou o preço mais alto por ti;

  • Tens propósito, porque foste criado(a) para algo mais do que apenas seguir a próxima tendência.


Quando permites que Jesus te confirme estas verdades, começa a acontecer algo incrível dentro de ti! Os teus “apetites” começam a mudar.


Se Ele te aceita, então não precisas de “consumir” a validação dos outros. Não precisas de uma imagem de vida perfeita e sem problemas, porque Ele te ama, com as tuas dificuldades e imperfeições. Então, percebes que as tendências são isso mesmo, tendências, mas quem tu és não fica dependente da próxima.


Nada disto implica que, quando reconheces que precisas de Jesus, te vais tornar um “santo aborrecido” que deixa de poder ver um bom filme, uma série da moda ou ouvir as músicas mais populares. Nada disso! Mas o teu filtro interno vai mudar. Vai aparecer uma pergunta nova: “Isto que estou a ver ou a ouvir, está a alimentar a pessoa que Deus me criou para ser, ou está a despertar inseguranças e desejos que me afastam Dele?”


Não és passivo(a) nesta escolha! És tu que defines o que vês, o que ouves e o que permites que te influencie. Quando sabes quem és em Jesus, então tudo pode ser utilizado para chegares ao coração dos outros, sem permitires que o teu fique cativo.


Eduardo Alves

Pastor - AD Porto