“Mordomia Cristã” é a responsabilidade que os filhos de Deus têm de cuidar e administrar o que lhes foi confiado por Deus. Mas antes disso, é importante pensarmos na mordomia universal, a qual engloba todas as pessoas.
O DONO
A Bíblia começa por dizer que Deus é o Criador do Universo (Génesis 1:1). O verbo hebraico usado neste versículo, mostra que só Deus consegue criar algo a partir do nada — nenhuma pessoa o pode fazer. O Criador é, por conseguinte, o dono: “Ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam.” (Salmo 24:1, ARA).
Tal como o dono de uma empresa decide como ela deve funcionar, também Deus decide como a Sua criação deve ser usada. Ele tem autoridade total para isso — afinal, tudo é Dele!
Génesis 1:28-29 apresenta a decisão do dono, Deus, de confiar aos seres humanos a tarefa de cuidar da Sua criação – serem seus mordomos: “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra. E disse Deus ainda: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento.” (ARA). Génesis 2:15 acrescenta: “O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo.” (NVI)
O MANDATO CRIACIONAL
O que acabámos de ver chama-se “Mandato Criacional” — ou seja, a missão que Deus deu à Humanidade desde o início. Adão e Eva representam todos nós nessa missão. Somos responsáveis por cuidar, preservar e usar o planeta de forma equilibrada. Estas responsabilidades vêm do próprio Deus, por isso são muito importantes — são mandamentos, não apenas sugestões. Existem privilégios a acompanhar estas exigências, tais como o acesso aos alimentos que o próprio planeta fornece, dieta essa que inclui os animais a partir de Génesis 9:3.
Na Lei de Moisés, Deus reforça que esse poder humano sobre a criação tem limites — é um poder emprestado, não absoluto. O estabelecimento do “Ano Sabático” é um exemplo desses limites: “Mas o sétimo será um ano especial de descanso em honra do Senhor; nem semearás os teus campos nem podarás as tuas vinhas.” (Levítico 25:4, BPT). Outro exemplo é o provérbio que associa a justiça – requisito imprescindível para uma boa mordomia – ao tratamento dos animais. Provérbios 12:10 afirma que “o justo cuida bem dos seus animais, mas até os atos mais bondosos dos ímpios são cruéis” (NVI).
Resumindo: todas as pessoas são administradoras da criação de Deus — por isso, o mandato criacional estabelece uma mordomia universal.
A MORDOMIA CRISTÃ
A mordomia cristã, em contraste com a universal, estende-se a todas as esferas da vida humana — o uso do tempo, do dinheiro, dos talentos e da fé. O Novo Testamento descreve responsabilidades divinamente atribuídas por Deus ao Seu povo, das quais desejo focar uma, a saber: a colaboração na Missio Dei, ou seja, na missão de Deus. Este termo indica que Deus deseja conduzir a Humanidade a um relacionamento com Ele. O Criador quer também ser o Redentor, aquele que salva.
O plano da slavação foi desenhado e executado pelo próprio Deus. Os cristãos, não obstante, são mordomos dessa mensagem; eles devem anunciar e demonstrar o Evangelho com a sua vida. A Bíblia expõe esta verdade de várias formas. Por exemplo, ela diz que os discípulos de Jesus são “cooperadores de Deus” (1 Coríntios 3:9, NVI) e “embaixadores em nome de Cristo” (2 Coríntios 5:20, ARA).
A mordomia cristã deve ser encarada com seriedade. Um dia, todos prestaremos contas a Deus pela forma como usámos o que Ele nos deu — dons, tempo e recursos. A Bíblia afirma, “todos compareceremos perante o tribunal de Deus.” (Romanos 14:10, ARA). “Portanto, que todos nos considerem servos de Cristo e encarregados dos mistérios de Deus. O que se requer desses encarregados é que sejam fiéis.” (1 Coríntios 4:1-2, NVI).
Acima de tudo, Deus quer que tu sejas fiel. Um mordomo cristão fiel é aquele que valoriza a sua salvação, sendo por isso movido pela gratidão.
Filipe Fontes
Pastor - AD Covilhã
