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Será que Deus Se preocupa com o Ambiente?


Um estudo do ISCTE diz que as pessoas, em geral, preocupam-se com o ambiente, mas fazem pouco para o mudar¹. Esta constatação é um bom ponto de partida para refletirmos biblicamente sobre o tema. 


Quando penso na questão de saber se Deus Se preocupa com o ambiente — a natureza, os céus e a Terra — percebo que a própria ideia de “ambiente” nos remete sobretudo para aquilo que Deus criou para sustentar a vida humana. Quando aqui falamos de “ambiente”, não nos referimos apenas à Terra em si, mas ao conjunto da Criação que Deus preparou: a Terra, a natureza, os recursos naturais, os ecossistemas, o clima, a biodiversidade e tudo aquilo que compõe o espaço de vida ordenado por Deus. É este ambiente, no seu sentido completo, que Deus criou com as condições para que o ser humano pudesse habitar, habitar bem, estar bem e desfrutar de boas coisas.


Além disso, a própria Criação, quando olhamos para ela, é uma prova da existência de Deus. Deus faz-Se conhecer a partir daquilo que criou e, como tudo é perfeito, revela que por detrás de tudo temos um Deus perfeito, Criador. É aquilo que o apóstolo Paulo refere aos Romanos: que somos inescusáveis porque Deus Se revela na Criação (Romanos 1:20).


Contudo, com o pecado, o próprio ambiente ficou afetado. Até o fruto do trabalho do homem foi atingido (Génesis 3). Na Criação, antes da queda, a natureza oferecia tudo sem qualquer esforço; não era necessário trabalho árduo. Mas, depois do pecado, até a própria terra passou a produzir espinhos. O pecado afetou o ambiente.


Ao mesmo tempo, a tterra, o ambiente, foi-nos dado para cuidarmos e usufruirmos do seu fruto. É também uma fonte de recursos: a própria terra gera recursos que podem até melhorar a economia de uma pessoa. Por isso, é bom cuidar, cuidar bem, cuidar com zelo. Foi Deus que nos deu esse jardim — esse jardim que é o nosso mundo, a nossa terra.


É também interessante refletir que o próprio Jesus ensinou grandes lições espirituais a partir do ambiente e da Criação. Ele ensinou a olhar para os lírios do campo e fez referência às aves do céu, usando a própria natureza para transmitir verdades sobre confiança e provisão (Mateus 6:26-30). Recorreu também à figueira como lição espiritual (Mateus 21:19-22) e falou da água como a “água da vida”, mostrando que assim como a água é essencial e fundamental para a vida física, Ele é essencial e fundamental para a vida espiritual (João 4:14). E, ainda, através da parábola do semeador, ensinou sobre diferentes tipos de terreno, usando a própria terra como imagem para explicar a forma como o coração humano recebe a Palavra (Marcos 4:1-9). Tudo isto mostra que Jesus utilizava o ambiente que o rodeava para ilustrar ensinamentos profundos.


A carta aos Romanos diz que a própria Criação está na expectativa da manifestação dos filhos de Deus. E, após os filhos de Deus serem glorificados, haverá um novo ambiente, uma nova Criação, já restaurada e renovada, completamente perfeita e sem qualquer imperfeição no ambiente.


A verdade é que o próprio ambiente sofre. A Criação geme com dores de parto, e assim será até ao fim. Mesmo fazendo o melhor que está ao nosso alcance, permanece a sensação de que nada do que façamos reverte totalmente o processo de destruição que afeta a própria Terra. A Criação continua e continuará a sofrer, e por isso mesmo é necessária a sua renovação.


A primeira lição que podemos tirar é que devemos estar gratos. Gratos porque Deus nos deu tudo perfeito, porque a Criação nos foi entregue como um presente, um ambiente preparado com cuidado e propósito. Depois, aprendemos também uma lição de responsabilidade. Responsabilidade para com o ambiente, para cuidarmos e fazermos aquilo que está nas nossas mãos, tanto pela nossa geração como pela próxima. Isto implica não sermos egoístas, não pensarmos apenas em nós, mas termos consciência de que os nossos filhos, os nossos netos e as gerações que virão precisam de viver num mundo melhor. 


Devemos igualmente estar atentos àquilo que está cientificamente comprovado — estudos, dados e investigações sérias — que nos mostram que certos comportamentos são necessários para melhorar o ambiente, e que nos ajudam a agir de forma mais consciente e informada. Por fim, cuidar do ambiente é também uma forma de adorar a Deus, sendo zelosos com aquilo que Ele nos deu. Cuidar da Criação é honrar o Criador.


Humberto Teixeira

Pastor - Nova Vida AD Luxemburgo



¹ A grande maioria dos portugueses com mais de 45 anos preocupa-se com o ambiente (96%), mas um terço admite ignorar comportamentos sustentáveis e grande percentagem limita-se a ações como separar o lixo e reutilizar sacos. Fonte: Jornal O Observador, 8 de agosto de 2025