Quando a presença que falta é preenchida por um amor que não falha
Nem todos crescemos numa família “perfeita”. Na verdade, para muitos jovens, essa ideia nem sequer existe. Há quem tenha crescido sem pai, há quem tenha um pai ausente, física ou emocionalmente, e há quem viva em famílias monoparentais ou marcadas por conflitos constantes. Isto deixa marcas profundas, perguntas, silêncios e vazios difíceis de explicar.
Por vezes surge uma questão no nosso interior: quem cuida de mim quando quem devia cuidar não está? Sem grandes rodeios, a Bíblia apresenta-nos uma resposta clara e cheia de esperança: Deus como Pai. Não um Pai distante ou indiferente, mas um Pai presente e atento aos seus filhos. Um Pai que não vira as costas quando as pessoas falham.
“Pai dos órfãos e juiz das viúvas é Deus em sua santa morada.” (Salmo 68:5, ARA) Este versículo mostra-nos algo maravilhoso: Deus pode estar ao lado dos que se sentem sozinhos ou abandonados.
Jesus veio mostrar-nos como Deus é, e escolheu chamar-Lhe Pai. Mais do que isso, ensinou-nos a relacionar-nos com Ele de forma próxima. Em João 14:18 (ARA), Jesus diz: “Não vos deixarei órfãos, voltarei para vós outros.” Estas palavras são um verdadeiro conforto para quem já se sentiu órfão, mesmo tendo pessoas à sua volta, pois a ausência nem sempre é física, muitas vezes é emocional.
Talvez o teu pai não tenha estado presente como gostarias. Talvez tenha falhado, partido ou simplesmente não soube amar. Deus não te pede para fingires que isso não dói. Ele conhece a tua vida e as tuas feridas.
Deus não substitui um pai humano como se fosse uma cópia. Ele faz algo mais profundo: cura as nossas feridas e restaura a nossa vida. Ele é amor e quer cuidar de nós. O Salmo 27:10 (NTLH) mostra esta verdade de forma direta: “Ainda que o meu pai e a minha mãe me abandonem, o SENHOR cuidará de mim.”
Enquanto as pessoas entram e saem da nossa vida, Deus permanece. Como humanos podemos falhar, mas Deus mantém-Se fiel. Quando tudo parece instável, Ele pode ser a nossa segurança.
O apóstolo Paulo lembra-nos: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai.” (Romanos 8:15, ARA). Isto significa que ninguém é esquecido. Somos filhos de Deus por adoção, pertencemos a Ele. Nele temos uma identidade definida e um lugar.
Para muitos jovens, a ideia de Deus como Pai é difícil, porque a palavra “pai” traz consigo mágoas, medos e desilusões. Mas Deus não repete os erros humanos. Ele representa o autêntico significado de ser Pai.
Deus como Pai é aquele que caminha connosco, mesmo quando erramos. Que nos corrige porque nos ama. “Porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige?” (Hebreus 12:6-7, ARA)
Temos um Pai que conhece as nossas lágrimas, que escuta as nossas orações. “Tu sabes como estou aflito, pois tens tomado nota de todas as minhas lágrimas. Será que elas não estão escritas no teu livro?” (Salmo 56:8, NTLH)
Ele não promete uma vida sem dificuldades, mas sim nunca nos abandonar. “Ele se aproxima de todos os que pedem a sua ajuda, que clamam por Ele com um coração sincero. Ele atende os pedidos de quem O ama e obedece às suas leis; ouve as orações e salva a quem pede ajuda”. (Salmo 145:18-19, BV)
Talvez a tua história familiar não seja fácil. Talvez falte alguém à mesa e que nunca te sai da memória. Deus continua a escrever histórias. Ele fá-lo como Pai presente e cheio de amor.
Mesmo quando tudo parece faltar, Ele continua a estar presente e a ser suficiente.
Daniel Pinheiro
Pastor presidente - AD Águeda
