Escolhe a tua língua

Família: não a escolheste, mas escolhe amá-la!


 “Respeita o teu pai e a tua mãe, como o Senhor, teu Deus, te ordenou. Assim viverás muitos anos e serás feliz na terra que o Senhor, teu Deus, te vai dar.” (Deuteronómio 5:16, BPT)


Há uma verdade que é comum a todos nós: ninguém escolhe a família em que nasce. Não escolhemos o sobrenome, a história ou as características. Não escolhemos os pais, os irmãos, ou os primos afastados. Ainda assim, a Palavra de Deus chama-nos a uma decisão diária que transforma essa realidade: se não escolheste a tua família, escolhe amá-la.


A família é o primeiro lugar onde aprendemos sobre Deus, mesmo quando Ele não é mencionado. Aprendemos sobre autoridade, cuidado, perdão, paciência e graça. Em alguns lares, essas lições vêm envoltas em afeto e segurança; em outros, chegam marcadas por dor e ausência. Contudo, o propósito de Deus não é anulado pelas imperfeições humanas. Ele coloca-nos em famílias reais para nos formar com amor real - um amor que não é apenas sentimento, mas escolha e consciência.


O amor bíblico não nasce da conveniência. Ele floresce da obediência. Jesus ensinou-nos a amar não apenas quando é fácil, mas quando é necessário. Amar a família, portanto, não significa concordar com tudo, nem tolerar injustiças ou abusos. Significa decidir agir com o coração alinhado ao de Cristo: um coração que procura restaurar, perdoar, servir e, quando é preciso, estabelecer limites com sabedoria.


Às vezes, há situações nas famílias que não são fáceis e muitas pessoas carregam a pergunta silenciosa: “Como amar quem me feriu?” A resposta não é simples, mas é possível, em Deus. Amar não é esquecer o que aconteceu, nem fingir que não doeu. Amar é permitir que o Espírito Santo transforme a dor em maturidade e a ferida em testemunho. É compreender que o perdão liberta mais quem perdoa do que quem é perdoado. Quando escolhemos amar, transformamos a repetição de erros em oportunidade de redenção.


A Bíblia mostra-nos famílias cheias de conflitos. José foi rejeitado pelos irmãos. David enfrentou desordem na sua casa. O próprio Jesus nasceu num contexto simples, com desafios e dificuldades. Ainda assim, Deus operou poderosamente em cada uma dessas histórias. Isso ensina-nos que a família perfeita não é o plano de Deus; o plano de Deus é a transformação de pessoas imperfeitas por meio do Seu amor.


Escolher amar a família é um ato de fé. É crer que Deus pode agir onde nós já desistimos. É orar quando faltam palavras, servir quando faltam forças, permanecer quando a vontade é fugir. É entender que, muitas vezes, a nossa maior missão é dentro de casa. A nossa casa é o primeiro altar. É ali que o Evangelho precisa ser vivido antes de ser pregado. Independentemente da nossa idade. Não são só os adultos que escolhem amar. Desde crianças aprendemos a mostrar e dizer aos outros o que sentimos. Aprendemos a escolher tratar bem os outros e respeitar e obedecer aos mais velhos.


Também é importante lembrar que a família não se limita aos laços de sangue. Em Cristo, somos adotados numa nova família, a família da fé. Para alguns, essa será a principal referência de amor e cuidado. A Igreja torna-se um lugar de acolhimento e de bem-estar. Então, em todas estas situações, devemos lembrar-nos de honrar os nossos pais, respeitar a nossa história e, sempre que possível, ter paz com todos.


Escolher amar a família é um exercício diário. Há dias em que será natural, e outros em que será um sacrifício. Mas, o sacrifício feito por amor gera frutos eternos. Quando decidimos amar, refletimos o caráter de Deus, que nos amou primeiro, mesmo quando não O escolhemos. Ele amou-nos nas nossas falhas e chamou-nos de filhos.


Que possamos olhar para a nossa família com olhos de amor. Que, mesmo sem tê-la escolhido, escolhamos amá-la. Porque amar é uma decisão que honra a Deus.


Ana Rita Núncio

Psicóloga e Líder de jovens

AD Benavente