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Não estás sozinho!


A solidão representa um dos grandes problemas dos nossos dias. Mas, se por um lado olhamos para a solidão como algo banal, por outro mentimos a nós mesmos quando achamos que estar sozinho é uma vantagem e uma forma de independência, como se conseguíssemos tudo em nós mesmos. Mas no fundo, no fundo, ninguém quer estar só e graças a Deus por esse desejo que é impossível de adormecer dentro de nós. 

Deus criou-nos para a relação, em primeiro lugar para a relação com Ele, uma relação que nos completa, mas também para a relação que estabelecemos uns com os outros, uma relação capaz de nos complementar, acrescentar e também aproximar de Deus. A mentalidade de uma vida “eu e Deus” não é algo que encontremos na Bíblia. A Igreja é plano de Deus e, como sabem, os Seus planos são melhores do que os nossos. 


Então, diria que o primeiro passo é não ignorar o desejo que brota dentro de nós de viver acompanhado, abrir mão da independência, que tanto nos condiciona, e buscar em Deus o que só n’Ele podemos encontrar. Deus ama-te muito e deseja que estejas bem perto d’Ele. Esse desejo manifestou-se ao ponto de enviar Jesus, o Salvador que permitiu que fôssemos chamados de filhos de Deus. É aqui que começa a família e é aqui que acaba a solidão! 


Mas Deus não ficou por aqui! Deus sonhou com uma família muito grande – a Igreja, um conjunto de membros, uma comunidade de filhos de Deus e, como tal, irmãos uns dos outros por meio de Cristo. Contudo, nem sempre atingimos a plenitude do que um irmão significa, mas continua a estar lá todo o seu potencial. 


“Em todo o tempo ama o amigo; e na angústia nasce o irmão.” (Provérbios 17:17, ARC)


Em vários momentos da minha vida, já experimentei o nascimento de irmãos. E não estou a falar no sentido biológico, mas de laços tão fortes como os de sangue. Nas adversidades e lutas, tive pessoas que se chegaram perto e de quem me cheguei perto (é um esforço de ambos os lados) e que estiveram disponíveis para me ouvir, consolar, encorajar e interceder por mim. Fizeram da minha luta, a luta deles, e da minha oração, a oração deles. Não sei como seriam os momentos mais difíceis da minha vida sem esses irmãos, mas a verdade é que também não preciso de saber ou perder muito tempo a imaginar. 


Acredito que uma das barreiras mais complicadas de ultrapassar se prende com o facto de quão desconfortável ser partilhar e expor aquilo que sentimos. Mas a solidão, tal como o silêncio, deixa-nos ainda mais suscetíveis e frágeis neste mundo caído e injusto. Porém, se agirmos em coragem e falarmos em voz alta, quem sabe se não encontraremos a compaixão e o conselho capazes de nos fazer progredir, crescer em fé e compreender mais do nosso Deus no meio do processo? Como seriam as nossas caminhadas e as nossas histórias se as fizéssemos com irmãos firmes em Cristo? Como seria a Igreja no seu verdadeiro potencial? Como seria bom vivenciar o reino de Cristo tal como Ele sonhou – em família!


Lúcia Rocha
Médica pediatra - Equipa de Comunicação e Oração

AD Benfica